A osteontrite de joelho é uma doença degenerativa e progressiva da cartilagem do joelho, aparece normalmente a partir da sexta década de vida.
No Brasil estima-se que cerca de 30 milhões de pessoas sofram de artrose severa. E esses índices tem aumentado significativamente. No mundo em 1990 cerca de 247,5 milhões de pessoas eram afetadas com essa doença, esse numero quase dobrou, 528 milhões em 2019. Projeções indicam que, até 2050, cerca de 1 bilhão de pessoas poderão conviver com a doença.
Fatores como envelhecimento populacional, aumento da obesidade, predisposição genética, sedentarismo e lesões articulares contribuem para o seu desenvolvimento.
Como saber se eu posso ter artrose nos joelhos?
O exame é feito através de diagnostico clinico (ou seja avaliação dos sinais e sintomas) e exame de imagem (raio x e ressonância).
Quais são os sinais clínicos? Joelho inchado (inchaço muitas vezes leve mas persistente), dor e rigidez articular (dificuldade de dobrar e esticar completamente). É possível observar o joelho mais com maior proeminência óssea (mais “largo” sem formato habitual bem delineado), alterações de eixo mecânico (a perna pode ficar “torta”para dentro ou para fora) e também apresentar dificuldade de caminhar, agachar ou subir escadas.
Exames de imagem: é possível avaliar se a paciente apresenta a doença e em que grau se encontra. Existem duas relações articulares: o desgaste da cartilagem da patela (condromalácea) e femoro-tibial (mais comum a utilização de próteses).
As classificações contemplam 4 estágios do desgaste, sendo que o ultimo normalmente, associado a uma clinica ruim é indicativo de artroplastia (prótese).
Qual o melhor tratamento?
Basicamente o tratamento é feito em 3 pilares.
O Primeiro perda de peso, no caso de pacientes com sobrepeso, cada KG de peso corporal incide 4 a 5 KG de reação articular nos joelhos. Então seria como se o paciente que perdeu 5 KG tivesse aliviado 20 a 25 KG a sobrecarga nos seus joelhos
Segundo, e um dos mais importantes, fortalecimento muscular de membros inferiores principalmente: quadríceps e glúteos. Fato importante é adaptar o exercício para que não haja exacerbação do quadro angico durante o processo. Procurar um bom profissional, respostas positivas e duradouras necessitam de normalmente 3 meses de tratamento e posteriormente manutenção: musculação, hidroterapia, pilates e etc.
Terceiro, medicamentoso, medicamentos são necessários para controlar quadros inflamatórios por prazos determinados. Alguns ortopedistas podem optar por medicamentos condroprotetores via oral ou infiltração com acido hialurônico e analgésicos.
E no caso de protese, como funciona?
A Artroplastia de joelho, ou mais popularmente conhecido como cirurgia de prótese é indicada em casos que não se consegue mais resultados com o tratamento conservador (descrito na resposta da pergunta anterior). Existem vários tipos de prótese (total, parcial, constrita e etc) inclusive marcas diferentes. O importante será passar em consulta com um cirurgião de confiança nestes caso para ser conduzido o processo cirúrgico.
Depois da cirurgia de protese preciso de fisioterapia?
Sim. É aconselhável acompanhamento com fisioterapia para que consiga atingir as metas descritas nos protocolos de reabilitação. Lembrando que o tempo varia um pouco para cada individuo: idade, nível de atrofia muscular, sobrepeso, comorbidades adjuntas (risco de trombose, artrite, osteoporose severa, controle de infecção..), fratura periprotética e etc.
Poderei fazer de tudo após a prótese?
Não. Normalmente se tem uma limitação de flexão de joelho (110/ 120 graus) que é natural da cirurgia e a vida útil é em media 20 a 25 anos para próteses importadas, então, aumentar muito o peso corporal, realizar atividades de alto impacto podem, com o tempo, causar reações inflamatórias. O paciente pode ter uma vida normal, apenas com algumas ressalvas.
Artigo escrito por Carlos Raphael de Souza, CREFITO: 149296 F
Fisioterapeuta, Pós graduação em Osteopatia e Fisioterapia Esportiva
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